Halloween 2018

Já faziam nove anos desde que o último Halloween havia sido lançado, e devido ao fracasso de críticas dos remakes dirigidos pelo músico Rob Zombie a franquia estava em um hiato que parecia eterno. Os ânimos e as esperanças dos fãs que aguardavam ansiosamente por algum sinal de vida foram renovadas depois que a produtora Blum House (famosa pelos seus filmes de terror) adquiriu os diretos da franquia. Mas, apesar de todas as expectativas, o anúncio da nova produção só chegou em outubro de 2017, quando a Blum House divulgou o retorno da nossa eterna rainha Jamie Lee Curtis no papel principal e se isso já não fosse bom o suficiente John Carpter (o criador de Halloween) retornaria a franquia no cargo de produtor executivo e compositor da trilha sonora.

Roteirizado por Danny McBride e David Gordon Green e supervisionado por Carpter a direção ficou por conta do próprio roteirista Green. Situado 40 anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, o novo episódio da saga do assassino Michael Myers decidiu ignorar todos os outros filmes da franquia. Um detalhe muito importante para que você consiga compreender este filme, é extremamente importante que você entenda que dentro desta nova linha do tempo Michael Myers e Laurie Strode não são irmãos, a mudança aconteceu porque o fato de ambos serem parentes só foi estabelecido durante os eventos do segundo filme, que no contexto desta película nunca aconteceu.

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A partir de agora vão começar os spoilers, então se você ainda não assistiu ao filme recomendo que não continue lendo!

O filme abre de maneira curiosa, mostrando o casal de podcasters europeus Danna (Rhian Rees) e Aaron (Jefferson Hall) indo visitar o lendário assassino Michael Myers na tentativa de realizar uma entrevista com o mesmo. No hospital psiquiátrico Smith’s Grove conhecemos o pupilo de Dr. Samuel Loomis (Donald Pleasence) o médico psiquiatra Sartain (Haluk Bilginer), responsável por tomar conta de Myers. Logo nesta cena temos um rápido deslumbre do nosso assassino (agora um homem de 61 anos) seguida da aparição da sua lendária máscara.

Após a tentativa frustrada de entrevistar Michael, o filme corta e temos os créditos de abertura ilustrada com uma Jack Lantern, referência óbvia a icônica abertura do filme original – a qualidade não é muito bom, mas você pode assisti-la aqui.

Para dar continuidade a sua pesquisa, o casal de podcasters decidi ir até Haddonfield para entrevistar a única sobrevivente do massacre de 40 anos atrás. Nesta sequência de cenas temos a reintrodução da personagem Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), agora uma senhora que vive isolada em sua própria casa que mais parece uma fortaleza. Através da conversa com Danna e Aaron entendemos que Laurie não é exatamente próxima de sua família, possuindo uma relação conturbada com sua filha e neta, devido as suas “paranoias” e traumas do passado. Nesta cena também descobrimos que no dia 30 de outubro, ou seja, a véspera do Halloween Michael será transferido para outra instituição.

Nas cenas que se seguem conhecemos a nova geração da família Strode, Karen (Judy Greer), seu marido Ray (Toby Huss) e a jovem Allyson (Andi Matichak). Depois de um pouco de enrolação por parte do roteiro, finalmente chegamos a noite da transferência e como já era previsível, durante o trajeto para o novo hospital, Michael ataca e mata alguns funcionários. Ainda na estrada um pai com seu filho que passavam pelo local param para tentar ajudar, mas logo são mortos por Michael que rouba o carro de foge. No caminho para sua cidade natal, coincidentemente o assassino cruza com Danna e Aaron que haviam parado em um posto de gasolina, e em uma cena pra lá de tensa Myers mata o casal e pega sua máscara que estava sob posse de Aaron.

Com Michael finalmente de volta a Haddonfield, o assassino não perde tempo e começa sua chacina. Uma por uma, ele invade casas da vizinhança deixando um rastro de morte por onde passa. Em umas destas cenas (que pode ser vista em um dos matérias promocionais divulgados) destaco o momento em que Michael invade a casa de uma senhora e a mata com marteladas na cabeça. A parte mais legal desta cena foi que a mesma foi filmada em um único shoot, detalhes assim enriquecem o filme e demonstram os talentos de Green como um diretor.

Daqui para frente o filme vai seguindo um ritmo acelerado, misturando cenas de terror e muito suspense. Em umas destas cenas em questão é possível perceber que Laurie está mais do que determinada em matar Michael, inclusive é neste momento que temos o reencontro dos dois em uma cena que conta com a participação pra lá de especial do ator Nick Castle, que é ninguém mais ninguém menos do que o Michael Myers original.

O ponto negativo do filme fica por conta do plot twist que acontece próximo do terceiro ato, nele descobrimos que Sartain é na verdade um vilão… ele revela que seu plano consiste em levar Michael até Laurie para que ele possa estudar aquilo que motiva os instintos assassinos de seu paciente. Nesta mesma cena temos um momento bizarro no qual o doutor experimenta a máscara de Michael e por um segundo eu cheguei a acreditar que a partir daquele momento Sartain assumiria o manto de assassino, mas graças a deus que isso não aconteceu.

Não acho que o plot twist estrague o filme, muito pelo contrário, ele estabeleceu um elemento surpresa que me pegou desprevenido. Porém eu ainda gostaria que ter visto uma solução mais “orgânica” por parte dos roteiristas para levar Michael até a casa de Laurie. Apesar disso, a melhor parte ainda estava para acontecer, e é no terceiro ato que temos o confronto final entre Michael Myers e Laurie Strode. Então é neste momento que percebemos que mesmo com todas as diferenças entre avó, filha e neta as Strode’s permanecem unidas para enfrentar e as dificuldades que surgem em seu caminho.

Depois de muito sangue, suspense e drama o filme de encera de forma ambígua, sem revelar o verdadeiro destino de Michael, deixando assim uma brecha para uma possível sequência.

Entrando no assunto sobre as protagonistas, eu não posso deixar de destacar a atuação da veterana Jamie Lee, nossa amada scream queen entrega uma personagem caricata marcada pelo estresse pós-traumático, doença que afeta muitas pessoas pelo mundo, mas infelizmente é pouca retrata pela mídia. Judy Greer e Andi Matichak também arrasam no papel de mãe e filha, pena que ambas tiveram pouco tempo de tela, mas quem sabe em próximo filme a personagem de Matichak não assuma de vez o manto de protagonista?

A máscara usada pelo nosso amado assassino é uma das melhores coisas dentro deste novo episódio da saga. Não só porque ela é linda, mas também porque ela funciona muito bem, principalmente nas cenas onde temos baixa iluminação. Recriar a icônica máscara com um aspecto envelhecido e desgastado foi uma brilhante ideia por parte do pessoal dos efeitos visuais, uma vez que ela é exatamente a mesma (dentro do contexto do filme) do que a usada por Michael durante os eventos do filme de 78. No meu ranking de melhores máscaras eu colocaria ela em segundo lugar, só perdendo para a original é claro. Gostei tanto desta máscara que estou pensado em comprar uma só para colocar na minha estante.

As músicas compostas por Carpenter também são um dos pontos fortes do longo, onde cada umas das melodias representa um momento de terror, suspense e tensão. Se você ainda não a escutou deixo aqui um link do Spotify para o álbum do filme.

Halloween 2018 pode não ser um filme perfeito, entretanto é a melhor continuação que Halloween já teve e sem sobra de dúvidas faz jus ao legado construído por John Carpenter. Como eu disse acima, o destino do nosso assassino fica em aberto, então eu não ficaria nem um pouco surpreso em ver uma sequência sendo lançada nos próximos dois anos. E falando deste renascimento da saga, não tenho dúvidas que outras franquias clássicas do gênero de terror slasher também retornaram as telas do cinema.

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Nota: 4.5/5

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