Halloween – O Início (2007)

Em meados de 2006 foi anunciado ao mundo que um novo filme da franquia Halloween chegaria aos cinemas. Escrito e dirigido pelo músico Rob Zombie, o novo episódio da saga do assassino Michael Myers não continuaria os eventos contados em Ressurreição, mas sim serviria de ponto de partida para um novo início da franquia. Dessa forma, como estávamos na era dos remakes e reboots, Halloween que até então era umas das maiores sagas de terror do cinema não poderia ficar de fora, até porque “O Massacre da Serra Elétrica” (competidor direto de Halloween) também havia ganhado o seu reboot neste mesmo ano.

Foi então, que em 31 de agosto de 2007, Halloween – O Início chegou aos cinemas não só recontando os eventos do filme original, mas também criando uma nova história de origem para o assassino mascarado Michael Myers. No Brasil o filme teve o lançamento adiado algumas vezes, com isso ele só foi chegar aos cinemas nacionais em meados de 2009.

Como esse filme se trata de um remake/reboot, decidi estruturar a crítica de uma maneira um pouco diferente de como eu normalmente faço aqui no site. Ao invés de eu ir descrevendo a história do filme, vou me ater a comparar as duas produções apontando as principais diferenças que existem nas películas, mixando com a minha opinião. Se você ainda não assistiu nenhum dos filmes, recomendo que não continue lendo este artigo porque ele vai conter alguns spoilers.

Também é fã da franquia Halloween? Então não deixe de conferir nossos outros artigos da franquia:

O pequeno Michael Myers no filme original.

No filme original dirigido pelo mestre John Carpenter, o pequeno Michael Myers de apenas 6 anos de idade, é apresentado como uma criança perfeitamente normal, até que na noite do Halloween de 1963, sem nenhuma razão aparente mata sua irmã, Judith a facadas. Após o acontecido, o pequeno Michael é internado no Sanatório Smith Grooveaos aos cuidados do Dr. Sammuel Loomis (Donald Pleasence), onde passa 15 anos em estado catatônico, sem falar uma única palavra. Até que na véspera do Halloween de 1978, ao ser transferido para um novo hospício, o psicopata escapa e volta à sua cidade natal Haddonfield para realizar um novo massacre na noite de Halloween.

A grande sacada de Carpenter foi que ele nunca quis e nem precisou explicar porque Michael matava, o assassino simplesmente escolhia suas vítimas aleatoriamente sem nenhuma motivação. Os problemas começaram a surgir com as continuações que começaram a tentar explicar motivos e motivações do personagem (como o fato de Laurie ser irmã mais nova de Michael, algo que só foi introduzido em Halloween 2). Mas nada supera o fatídico Halloween 6, que tentou justificar os “poderes” do vilão associando-o a maldição druida Thorn.

Daeg Faerch, Rob Zombie e Tyler Mane.

No remake de Rob Zombie, Michael (Daeg Faerch) tem 10 anos é mostrando como uma criança rebelde, vivendo com sua família conturbada, sua mãe Deborah (Sheri Moon Zombie) é uma stripper, seu padrasto Ronnie White (William Forsythe), é um vagabundo alcoólatra, e sua irmã, Judith (Hanna Hall), é a “vadia” do colégio. Para piorar, o Michael deste remake já apresenta tendências homicidas desde a primeira cena, fica implícito que seus passatempos são torturar e matar ratos, cães e gatos. Resumindo: o cara que gosta de machucar animais cresce e vira serial killer.

Os primeiros 50 minutos do filme são basicamente uma história de origem para o personagem, onde acompanhamos ele no colégio sofrendo bullying de alguns colegas até a noite do massacre do Halloween, a diferença com relação ao original fica por conta do número de vítimas. Depois da passagem de tempo, o filme segue basicamente o mesmo enredo do clássico.

O problema do Halloween de Rob Zombie foi a tentativa de construir um cenário, onde você possa justificar as motivações do seu personagem. Na minha opinião o lendário assassino Michael Myers não precisa de uma história de origem, você simplesmente aceita ele da forma como ele foi apresentado no filme original, onde o psiquiatra Loomis, considerava ele como o “mal encarnado”, já para Laurie Strode, Michael era o “Bicho Papão” (boogeyman, no original). Se a intenção de Zombie era recontar a história do assassino Michael Myers bastava modernizar os eventos mantendo a essência do original.

O Halloween de Zombie não é totalmente descartável, temos alguns (poucos) pontos positivos. Destaco o retorno da atriz Danielle Harris (a Jamie das partes 4 e 5) a franquia como Annie Brackett, e a participação mais do que especial do ator Brad Dourif, mais conhecido por dar a voz ao boneco assassino Chucky no papel do xerife Lee Brackett, pai da Annie.

Outro ponto que eu devo admitir que gosto bastante neste filme é a máscara do Michael, que apesar de ser muito semelhante à do original, ela consegue ter um toque especial que a deixa única. A música tema também característica da franquia está muito boa, mais sombria e assustadora do que nunca.

O rosto do ator Tyler Mane foi usado como base para construir a máscara do personagem.

Mas no final das contas o Michael Myers de Rob Zombie não passava de um delinquente juvenil que era incapaz de lidar com a própria realidade que decidiu partir para a violência. Halloween – O Início é sem dúvidas o filme mais controverso da franquia, há quem o ame, afirmando ser muito mais “eletrizante” do que o original, já outros (eu incluído) consideramos um completo desrespeito a forma como um dos maiores ícones do gênero do terror foi tratado. Mas apesar de todos os problemas, o filme fez bastante dinheiro na box office, garantido assim uma sequência.

Nota: 2/5

Faça um comentário